As cenas do filme Sociedade dos Poetas Mortos retratam como é a vida dos alunos de uma escola conceituada no regime de internato, na segunda metade do século XX. Nessa instituição, é imposto aos alunos um controle no modo de se vestir e no modo de falar que sempre é de grande formalidade, deixando claras as posições hierárquicas entre estudantes e membros do corpo docente que seguem o modelo de interação social equiparado ora ao modelo militar, ora ao modelo religioso onde os alunos são vistos apenas como receptores totalmente passivos sem direito a questionar o conteúdo das aulas, muito menos as regras da escola.
Pode-se dizer que o modelo da
escola apresentado no filme é extremamente tradicionalista, fruto de uma visão
positivista, onde as matérias ensinadas são desconectadas do seu contexto de
aplicabilidade, de forma que é questionável o aprendizado verdadeiro dos alunos
nesse modelo que pressupõe o aluno apenas como ouvinte e recebedor de
conhecimentos enciclopédicos.
O conflito se inicia no filme
quando o professor de literatura Keating (personagem interpretada pelo ator
Robin Williams) durante as suas aulas quebra os protocolos seguidos pelos
demais professores com atividades que fazem os alunos refletirem sobre a existência deles ajudando-os a encontrar o seu
lugar no mundo e a sua própria voz. As atividades quase sempre são realizadas
fora da sala de aula, pode-se até relacionar aqui, a título de exemplo, o modo
como Sócrates ensinava seus discípulos, ao ar livre. O objetivo do professor
Keating era permitir que os alunos encontrassem sentido no conteúdo proposto nas aulas
de literatura a fim fazer uma conexão com a vida.
A prática do ensino
contextualizado é bem avançada para o ano de 1950, visto que a instituição como
um todo não concorda com os métodos do professor Keating chegando a demiti-lo,
porque talvez houvesse nesses métodos um processo de libertação intelectual que
é contra aos ideais do pensamento capitalista. O ensino baseado no positivismo
é voltado para a técnica que é uma característica advinda da Revolução
Industrial e pressupõe a prática de ensino de um para muitos.
O método usado pelo professor
de literatura é considerado uma pedagogia alternativa, porque na sua forma de
ensinar as aulas são de interação e de reflexão que procura fazer o aluno se
encontrar fora do ambiente de submissão imposta tanto pelo internato, pela
sociedade industrial, como pela a própria família que já decidia qual profissão
seus filhos seguiriam, sem ao menos levar em consideração se eles concordam ou
se identificam com o tal ofício visto como de sucesso.
Mesmo que o filme faça uma
referência ao sistema de ensino do século XX, ainda se podem encontrar escolas
tradicionalistas e quando não, professores autoritários que não reconhecem o
ser humano histórico e atuante, e que a cada década tem-se um novo perfil de
aluno que nasceu num outro perfil de sociedade. Realmente, nas relações
aluno-professor e vice-versa há um conflito de gerações, por isso é necessário
que profissional da educação se atualize constantemente e conheça outros
métodos de ensino que suscitem nos alunos autonomia, interação e aprendizagem
para a vida.
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